Atenção! Mais sobre segurança!

Nos Estados Unidos circulou algumas notícias sobre mortes decorrentes ao uso de slings.

Na verdade foram mortes que ocorreram no uso dos “baby bags” mais conhecidos aqui no Brasil como “o sling da Claudia Leitte”. Sempre batíamos na tecla de que esse tipo de carregador não poderia ser considerado um sling, já que não permite o ajuste e a segurança que um sling de verdade proporciona. Mas muitos pais levados pela falsa segurança que um produto “hi tech” proporciona, acabam optando por esses “baby bags”.

Traduzi um artigo do site http://www.sleepingbaby.net que fala sobre essas notícias e deixa bem claro o porquê esses carregadores não são seguros. Segue o artigo:

Meu sling é seguro? – ou – Nem todos os carregadores são iguais!

Se você acompanhou os noticiários dos Estados Unidos por esses dias, sem dúvidas você viu muitas histórias sensacionalistas sobre so sling ser perigoso ou até mesmo mortal. Infelizmente existem carregadores de bebês que não são seguros, mas os meios de comunicação raramente são esclarecidos sobre as diferença entre os carregadores, então tudo fica focado em uma categoria “Oh meu Deus! Vai matar meu bebê!”. Bem, nós fabricamos slings desde 2000, e parte da comunidade de babywearing desde 2001, então estão aqui as coisas que aprendi.

O que faz um sling ser seguro?

Qualquer sling deve segurar seu bebê da mesma maneira que você seguraria em seus braços (os carregadores que usamos nas costas são uma exceção, a não ser que você tenha braços realmente flexíveis). Por exemplo, o sling de argola é geralmente usado com o bebê na vertical com a barriga contra o seu peito (posição barriga com barriga), da mesma maneira que você o carrega no colo, ou com o bebê numa posição diagonal ao seu corpo semelhante a que você usa para amamentár ou deitar ele no colo. As mesmas posições são as preferidas nos carregadores, wrap, meitai e pouch. Você sempre deve ser capaz de ver a cabeça e o rostinho do bebê sem ter que abrir o sling para isso, e ele deve sempre ser capaz de respirar livremente e com facilidade, com o pescoço reto e cabeça em posição neutra (não encostando o queixo no peito). Mais uma vez, essas posições embora necessitem de alguma prática , são possíveis em qualquer sling que seja seguro.

O que você não deve fazer é carregar o bebê numa posição horizontal contra o seu quadril ou esmagado embaixo dos seus seios, mas é o que alguns carregadores forçam a fazer. Eles podem ter uma abertura com elástico, uma secção triangular e uma base rígida. As vezes para criar uma falsa seguranças ele vem com cintos para manter o bebê na posição correta. Esses carregadores são conhecidos como “Baby Bags” ou “Sling Bags” e apresentam diversas falhas no seu  projeto.

  • Primeiro, cortaram o acesso visual ao bebê com as laterais elásticas. É impossível ver o rosto do bebê a não ser que você segure as laterais abertas. Por ser assim fechado pode acumular dióxido de carbono no seu interior, reduzindo o consumo de oxigênio do bebê.
  • Em segundo lugar a base rígida não permite que o tecido molde de acordo com o corpinho do bebê e cria o perigo real do bebê “rolar” para o lado. Isso pode ser perigoso se o bebê rolar para o lado do corpo de quem o carrega, ainda que o carregador tenha uma “malha respirável” cria um risco de sufocamento.
  • Terceiro, o formato curvo da bolsa força o recém nascido a ficar com o queixo encostado no peito. No recém nascido a via aérea é muito estreita – mais ou menos do diâmetro de um canudo – e se o queixo fica encostado no peito isso pode comprimir a via aérea reduzindo ou até mesmo interrompendo o fluxo de ar. Isso se chama “asfixia posicional” e ocorre em qualquer dispositivo usado com o bebê que empurre a cabeça para frente como bebês conforto, carrinhos, assentos de carro infantis, carrinhos que ficam na posição vertical que não são para recém nascidos e balanços.
  • Em quarto lugar, o cinto de segurança que vem em alguns desses carregadores cria uma falsa segurança, pois bloqueia o bebê em uma posição desconfortável, instável e leva a pessoa que está carregando a acreditar que o bebê está seguro embola ele não possa ser visto.
  • Em quinto lugar, a grande maioria desses carregadores afirmam ser de tamanho único e que veste bem em todos, mas eles são muito grandes para uma mulher de tamanho médio vestir, e mesmo quando bem ajustado o bebê fica no nível do quadril enterrado no tecido.
  • Sexto e  não menos importante para o bebê, o ajuste limitado e a faixa muitas vezes estreita provoca desconforto para quem usa.

Alguns modelos de “baby bags”:

Para avaliar a segurança do seu sling tenha isso em mente:

  1. Você deve ser capaz de enxergar o rosto do seu bebê e verificar ele com facilidade sem ter que ficar abrindo o tecido.
  2. O carregador deve imitar a maneira como você carrega o bebê nos seus braços, se não deve pelo menos manter o bebê numa posição que deixe sua via aéra aberta.
  3. Deve ser fácil de conseguir deixar o bebê em uma posição segura sem ter que ficar tirando para ajustar fivelas ou outros dispositivos do tipo.
  4. O carregador deve caber bem no seu corpo e manter o bebê alto a apertado contra o seu peito, não em baixo nos seus quadris.

Então, seu sling é seguro? Se ele se encaixa nos critérios acima e você está seguindo as instruções que vieram com ele, ele deve ser. Por mais bem feito que seja o sling ele não será seguro se você não estiver familiarizado para usá-lo com segurança. O mais simples pedaço de pano pode ser o mais seguro se usado corretamente (os carregadores mais elaborados como os “baby bags” são os menos seguros). Infelizmente as grandes empresas que fabricam esses “baby bags” não tem reconhecido o perigo que eles estão criando, apesar de terem sido notificados em 2006 que asfixia posicional e sufocamento foram uma preocupação (veja em: http://babyslingsafety.blogspot.com o trabalho de M´liss Stelzer uma enfermeira que realizou alguns testes informais com as principais marcas de “baby bags”). Três mortes foram agora conhecidas por terem ocorrido nesse tipo de carregador, uma família está abrindo um processo. O CPSC vai emitir um aviso, porém ainda não houve um recall o que ao meu ver é deplorável.

Mais informações podem ser encontradas em (todos os sites em inglês):

Por fim a segurança do seu bebê é sua responsabilidade, mas se você está começando com um carregador inseguro isso obviamente terá impacto no seu sucesso. Se você tiver qualquer dúvida quanto a segurança do seu carregador entre em contato com o fabricante ou com algum grupo de babywearing perto de você. A advertência da CPSC discute o bom posicionamento do bebê no carregador, embora não distigua entre os estilos de slings, é importente notar que é praticamente impossível carregar um recém nascido numa posição segura usando um “baby bag”.

Fiz até um cartão de visitar que você pode imprimir para ajudar aqueles que não conhecem sobre os diferentes tipos de carregadores se informarem a respeito, se você quiser pode imprimir e levar com você (em inglês). Clique aqui.

O texto é da Jan e  foi extraído e traduzido da página: http://www.sleepingbaby.net/safety.php

Tradução: Marilia Mercer


NOTA: O CPSC é como o PROCOM dos Estados Unidos (U.S. Consumer Product Safety Commission)

Até mais!

Sobre Marilia Mercer

Esposa e mãe em primeiro lugar. Slinguista por vocação e opção! Consultora de Babywearing.

Publicado em março 15, 2010, em Segurança e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 17 Comentários.

  1. Josélia Toledo

    Parabéns Marília pela dedicação para a divulgação da segurança na prática do babywearing

  2. amiga, valeu a tradução.. ja to passando esse link outras pessoas.. beijo

  3. Já postei um link para este ÓTIMO artigo lá no nosso site. Beijão, Lila!

  4. Texto EXCELENTE!

    Já fizemos o link lá no site.
    Vamos divulgar a informação correta e na íntegra!!

    Abraços,

    Bruna

  5. Marília:

    Obrigada pelo ótimo texto.
    A Universo Materno preocupa-se extremamente com os carregadores de bebê que estão sendo vendidos e também com a maneira com que eles têm sido usados.
    Sempre orientamos as clientes na maneira correta de utilização e inclusive colocamos um material de orientações com fotos dentro da embalagem de sling.
    Gostaríamos de fazer parte desta campanha também, como podemos fazer?
    Obrigada desde já
    Nara Duarte Pinski
    equipe da Universo Materno

  6. Muito bacana, está lá no blog com link pra cá.

  7. alguém viu a matéria que saiu hoje na folha de são paulo? Novamente disseram que o sling de pano que não é seguro e defenderam as bags..

    Sinto que as empresas que trabalham fabricando este tipo de mochilas/bags estão “doídas” com a popularização do produto e a crescente concorrência que está vindo por aí…

    Pode parecer mania de perseguição/conspiração, mas tem cara de matéria encomendada.

    Tenho a matéria aqui, caso queiram ler e publicar e esclarecer mande um email que repasso.

    Abraços,

    Bruna

  8. a revista crescer mudou a matéria! clap, clap, clap!

    Não está tão informativa quanto poderia, mas já deu o nome aos bois, devidamente.. http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI127064-10587,00-USO+DO+SLING+SOB+ALERTA+ACABA+EM+RECALL+NOS+EUA+E+CANADA.html
    agora espero a resposta do ombudsman da folha de são paulo que também escreveram tudo errado por lá.

    Boa sorte para todos nós!!

    E como já dizia meu professor de jornalismo:

    “se soubessem como são feitas as salsichas, ninguém leria as notícias!!”

  9. Olá de novo, fiz um post no blog sobre todo o assunto. Utilizei algumas marcas de sling para mostrar slings seguros e algumas fotos de fabricantes relacionados aqui. Se houver algum problema, por favor me comuniquem.

    http://www.kikadepano.com/alerta-sling-seguro/

    Abraços,

    Bruna

  10. Oi, vou postar tb no meu blog.

  11. Queria dar um baby sling para minha esposa. Vai nasce nosso primeiro filho. Temos um ano de casado. Recentemente perdi meu emprego e não posso compra nada.
    Será que existe alguém para fazer uma doação de um sling?

  12. Olá. Possuo o sling rider da infantino (o segundo das fotos, da esquerda pra direita) Como tenho 3 filhos pequenos (5 anos, 2 anos e 1 mês), conto c/ ele para sair com os 3, levar e buscar o mais velho na escola, etc. Usei c/ minha filha do meio até ela não caber mais, e nunca tive problemas. Sou da seguinte opinião: bebês e crianças devem ser alvo de nossos cuidados o tempo todo, não descanso a atenção em nenhum momento, nem quando estão dormindo, muito menos quando estaõ sendo carregados. Enquanto meu bebê está no sling, olho o tempo todo pra ver se está respirando bem, nunca coloco mantas ou panos com ele pra evitar o risco de sufocamento. Tento ajustar uma posição confortável para ele e sempre protejo com a mão o local onde a cabeça se encontra, para que não haja traumas externos, além de ter todo cuidado para nao esbarrar em nenhum lugar. Se a mãe não tiver todos esses cuidados, é melhor não utilizar nenhum tipo de sling.

  13. Muito bom este texto. Já enviei para várias pessoas.

  14. Então… Depoimento longo de uma mãe neurótica…
    Concordo com a Juliana.
    Quando comprei o enxoval do meu bebê, queria um sling de argola, mas achava a posição incômoda e optei pelo canguru. Descobri depois que não poderia usá-lo antes do 2° mês de vida do Juninho. Então, quando comprei meu “sling” estava em casa, recém-operada da cesárea, em amamentação exclusiva, sem dormir direito, com um recém-nascido suuuuper bonzinho que só chora(va) qnd queria colo ou mamar. Decidi levá-lo agarradinho por onde fosse em casa ou na rua. Então pedi p minha irmã comprar na 25 de março para mim. Agora que tenho tempo de entrar na net, descubro que tenho uma imitação (cara, para meu bolso) de um modelo americano que sufoca bebês. Realmente o bebê bag deixa as costas doendo (e eu tonta achando que era da raquianestesia), o braço dói de tanto proteger a cabeça e pescoço do meu Xodozinho, ( e eu tonta achando que preciso ter mais força no braço) por isso vim pesquisar algo melhor na net.
    Só que ando com ele por onde vou, e me parece meio óbvio que JAMAIS iria soltar a cabeça do meu bebê num troço que afunda a cabeça no pescoço. Confiro as costuras e as argolas do “sling” falsificado (q só descobri agora, repito) sempre q vou sair, Sempre ando com a mão no pescoço dele segurando e olho de 5 em 5 minutos para ver a posição se está confortável, protejo a cabeça dele com meu cotovelo SEMPRE para não bater. Ele dorme por até 5 horas lá dentro, e sempre olho se não está suando demais. Uso para amamentá-lo em locais públicos, (sim, eu amamento em qualquer lugar, inclusive andando num shopping, com o bebê bag, e que me joguem pedra se quiserem, to nem aí rsrsrsrs) e agora que ele está 2 meses e está com a cabeça durinha, é curioso feito não sei quem, ando com ele sentado preso no “cinto”, que é claro que não confio naquela coisinha de cinto, e seguro ele SEMPRE com uma das mãos, sentado, de lado para mim e para o mundo, e confesso que adoro observar nesta posição aqueles lindos olhinhos castanhos-escuros enormes brilhando em descobrir o mundo, e ver o mundo admirando aquele rostinho lindo com frases de ternura “que fofo” “ que lindo”. Voltando…
    Recordo-me de umas 10 pessoas me abordando para perguntar aonde eu tinha comprado o bebê bag, que era muito legal pq protegia o bebê muito pequeno, e inclusive eu gosto porque o povo sem noção tem mania de ficar falando em cima da criança, pegando, querendo ver e eu não gostava qnd ele era recém-nascido pq ainda era muito frágil.
    Intitulei-me de mãe neurótica pq Jesus Cristo: não é OBVIO que não se confia em nada fabricado, e que o correto é olhar o item básico que é a segurança do seu filho? Não confio em nada: bebê conforto, carrinho, canguru, berço, , roupa, fralda, manta, tudo que comprei é conferido para não machucar, sufocar, apertar, falhar. A CADA USO. Nossa, estamos falando do nosso maior tesouro: NOSSOS FILHOS.
    Quando li o engajamento de muitas mães para divulgar a diferença dos slings, bebê bag, canguru, enfim, achei válido, e vou providenciar ainda neste fim-de-semana um sling, de argola, autêntico, mais seguro, menos incômodo, mais anatômico para meu bebê a para mim. Mas não vou usá-lo com menos cuidado que o bebê bag.
    E finalmente, sem querer julgar ( e já julgando) me pergunto: como se enfia uma criança recém-nascida num troço a ponto de sufocá-la lentamente e não ser visto? Graças a Deus que sou neurótica e pretendo continuar sendo até o Juninho fazer 100 anos. E continuar pedindo a Ele para proteger meu filhote e me dar sabedoria para manter meu mãe-radar ligado 24 horas por dia.

    Volto para falar da minha experiência com o sling de argola…
    No meu face tem uma foto pública com o bebê bag

  1. Pingback: Recall de Carregadores de bebês nos EUA

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